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Os jardins egípcios da Antiguidade
 

Muito antes dos jardins suspensos do rei Nabucodonosor da Babilônia e muito antes do parque do rei Sargon da Mesopotâmia, os egípcios, como grandes agricultores que eram, já haviam construído seus jardins exuberantes em meio às adversidades do clima desértico. Foram influenciados pelas obras paisagísticas persas, graças às expedições de Thoutmosis IV e Anemóphis III à Ásia: “pomares enquadrados de vinha, plantados de figueiras, sombreados de sicômoros, e divididos em tabuleiros por canais de irrigação que já existiam desde o antigo império.”

Os jardins egípcios datam de 2.000 a.C. e serviam também para produzir alimentos e outras matérias-primas para a população: como a vinha, frutas, legumes e o papiro. Era construído às margens do rio Nilo e dele aproveitava as águas que tornavam possível o cultivo. A água era conduzida do rio para o interior do jardim por meio de canais artificiais. Estes canais também alimentavam tanques retangulares onde plantas aquáticas e peixes se desenvolviam e que atraíam muitos pássaros. Os pontos cardeais orientavam a construção. A partir da VIII Dinastia o costume de ter um jardim se difunde e em todos os palácios eles eram obrigatórios. As escavações mostram que existiam muitos jardins no antigo Egito.

Além de contarem com o traçado geométrico e a total simetria, os jardins do período se assemelhavam aos jardins da Mesopotâmia porque comportavam enclausos sagrados e túmulos, conferindo uma conotação religiosa, sagrada. Além dos sicômoros, freqüentemente eram cultivados: álamo branco e preto (também chamados de “choupo”); espirradeira (também conhecida como oleandro ou adelfa); papiros, palmeiras; tamareiras; lótus, acácia; videiras; figueiras e heras, algumas destas plantas, inclusive, também admitidas como sagradas. O papiro simbolizava o Baixo Egito e o lótus representava o Alto Egito.

O jardim egípcio, com todas estas características, influenciou diretamente os jardins do ocidente antigo: “jardim plano, fechado por muros, subordinado à propriedade, asilo da vida privada, e com seus pavilhões disseminados aqui e ali para aproximar o visitante da natureza. Muitas destas formas reapareceram na Itália romana, onde exerceram por muitos séculos sua influência.”, como é o caso dos pavilhões que ressurgem nos jardins italianos como fabriques, pequenas construções de jardim, semelhantes aos gazebos que conhecemos hoje. Assim, alguns elementos paisagísticos do Egito serviram de molde direto para jardins antigos do ocidente.

Mery-Aton e Rekhmirê podem ser citados como exemplos de jardins egípcios. O jardim Mery-Aton foi encontrado nas escavações de um palácio de verão que levava o mesmo nome. Era composto por 2 retângulos justapostos, um com o dobro da superfície do outro, cercados de muros. O jardim maior possuía um lago central de 130 m X 60 m, contava com um trapiche que facilitava o embarque e um muro a oeste que o separava dos aposentos dos serviçais. Existiam 3 pavilhões dispersos por entre as árvores. O jardim menor estava ao sul e apresentava uma composição análoga: um lago central rodeado de sicômoros e uma capela.
Rekhmirê consista em um jardim ao qual se adentrava através de um portão monumental e seu traçado envolvia 3 retângulos concêntricos: o retângulo externo era composto de sicômoros, o segundo continha flores aquáticas e palmeiras anãs e o retângulo interno era um canal, tão grande que podia comportar um barco para passeios.

Fabíola Sostmeyer Polita
Engª. Agrônoma – Mestre em Desenvolvimento, Gestão e Cidadania
Pós-graduada em Plantas Ornamentais e Paisagismo