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Moda ética, ecomoda, eco fashion: o que está acontecendo com a moda?
 

Um dos maiores ícones da moda mundial, Gabrielle Bonheur Chanel, conhecida como Coco Chanel, afirmava que “a moda não é algo que só existe nos vestidos. A moda está no céu, na rua, tem a ver com idéias, como o modo no qual vivemos, com o que está acontecendo.” E vivemos, certamente, em uma época de profundas mudanças em diversos aspectos de nossas vidas: políticas, de mercado, culturais, científicas e sociais. Mas algo também está acontecendo com a moda.
Um movimento chamado moda ética, ecomoda ou eco fashion vem tomando força no mundo todo. Ao contrário do que você possa estar imaginando, o movimento não tem relação, necessariamente, com confecções feitas da união de garrafas pet, tampinhas de alumínio, fios elétricos, caixas de papelão e outros materiais recicláveis. Também não está relacionado a roupas mal acabadas e sem graça. O conceito é muito mais abrangente. Matilda Lee, em seu livro Eco Chic, levanta outra questão que pode provocar inquietação naqueles que ouvem o termo “moda ética” pela primeira vez: “é possível pensar em ética em um universo dominado pela estética?”. Acontece que a moda traz impactos sobre nossas vidas que, no geral, enquanto consumidores, ainda não percebemos. E é sobre estes impactos que se consolida a nova proposta do mundo fashion.
Uma pequena idéia de como as roupas afetam o universo em que vivemos pode ser extraída das cifras daqueles que vivem a partir do cultivo das plumas de algodão, uma das principais matérias-primas desta indústria: 1 bilhão de pessoas vivem da produção desta fibra em 80 países espalhados pelo mundo (Food and Agriculture Organization of the United Nations). Deste universo, entre 500 mil e 2 milhões são vítimas de intoxicações agroquímicas. Um terço desta população intoxicada seria de cultivadores de algodão. Além destes números, estima-se que 100 milhões de pessoas fazem roupas em todo o planeta, sem considerar aqueles que trabalham em vendas, transporte e marketing dos produtos. Várias marcas globais, com indústrias sediadas em países em desenvolvimento, envolvem crianças ou adultos sem contrato de trabalho, não-protegidos por legislações trabalhistas e que raras vezes dispõem de condições apropriadas para produzir. Podemos perceber, assim, que o que vestimos nos afeta muito mais do que imaginamos.
Com o lema: “você é o reflexo daquilo que veste”, inspirado nas campanhas sobre alimentação, que pregam que somos o reflexo de nosso hábito alimentar, a moda ética destina-se aos consumidores sintonizados com as mudanças pelas quais nosso modo de vida vem passando. A moda ética é aquela que tem sido feita e vestida por quem se preocupa com os animais, com as pessoas e com o meio ambiente. A confecção deve seguir pelo menos um dos princípios: 1. a empresa deve ser sustentável e correta com seus funcionários; 2. as roupas produzidas devem conter materiais de proveniência sustentável, de reciclagem ou que sejam biodegradáveis; 3. a produção não deverá se utilizar de matérias-primas animais, como couro e peles.
A moda ética destina-se a consumidores que se preocupam com estas questões e que estão dispostos a pagar mais: uma peça de roupa ecológica pode custar até 30% mais que o vestuário tradicional. A ecomoda é feita de maneira artesanal e cuidadosa, exige um estudo maior para seu desenvolvimento e é proveniente de tecnologias ainda experimentais. Também custa mais caro produzir a matéria-prima: as fibras são oriundas de plantações pequenas e o cultivo é orgânico.  O combate a pragas, por exemplo, requer estratégias alternativas que não usem agrotóxicos.
O segmento movimentou R$ 400 milhões em 2008 no Brasil, representa 15% do mercado inglês e alemão e segue crescendo. Várias marcas já incorporaram os princípios da moda ecológica e começam a apresentar coleções produzidas com materiais alternativos, utilizando e respeitando mão-de-obra local e disseminando a proposta de desenvolver produtos social e ambientalmente sustentáveis.
O fato é que os consumidores estão percebendo que é possível unir ética à estética e cabe a eles a escolha de roupas mais duráveis, além de questionar sobre a origem das mesmas e suas formas de produção. O seu negócio está preparado para produzir sustentavelmente e abraçar esta fatia de mercado? Você está preparado para vender produtos sustentáveis e conquistar este novo consumidor que surge no Brasil e no mundo?
Pro.ª Fabíola Sostmeyer Polita é Engenheira Agrônoma formada pela UFSC e Mestre em Desenvolvimento, Gestão e Cidadania pela UNIJUÍ. É vice-diretora das Escolas Qualifica e professora de “Desenvolvimento e Sustentabilidade” e “Moda Ética”.


Fabíola Sostmeyer Polita
Professora e vice-diretora das Escolas Qualifica

Fontes: My Fashion Bubbles, Eco Chic e Her busy life

Artigo publicado na revista Uap Estilo