Conceituar um momento histórico é sempre um desafio. O cenário atual aponta para um mundo totalmente acessível e móvel. Um mundo de fronteiras ilimitadas, onde o espaço e o tempo se comprimem.Independente do ramo em que a organização atue, considerar as forças e o contexto de globalização é imprescindível para compreender os movimentos sociais e de mercado. Esse mundo turbinado pode ser compreendido comoo novo modelo de vida líquido-moderno, ou a moda de uma vida permanentemente transitória.
O termo globalização começou a ser usado no segundo quinquênio do século XX, referindo-se ao novo e avançado estágio na relação de interdependência de todos os povos e economias do Planeta Terra. É bom lembrar que desde os primeiros momentos em que os grupos humanos estabeleceram contatos entre si, houve troca de informações, conhecimentos de técnicas e de cultura. No entanto, em algumas oportunidades na história da humanidade esses contatos se aceleraram, como no período das Grandes Navegações, quando os colonialistas e imperialistas europeus impuseram a expansão de sua civilização. A ampliação do espaço para o lucro (conquista de novos mercados, investimento e fontes de matérias-primas) conduziu à globalização.
Não somente na economia está ocorrendo a tão propalada integração mundial, mas, também, em outros setores envolventes da sociedade, tal como na moda, no estilo de vestir e na arte de se expressar. O planeta está ficando aparentemente menor, é a era da “aldeia global”, ou seja, à facilidade de comunicação e até mesmo de deslocamento das pessoas de um país para outro, inclusive para o comércio internacional, que, além de ser provedor, é também condutor de conhecimentos e ideias.
A moda em tempos de globalização vem sendo recolocada e ressignificada dentro da sociedade como parte importante do “ser”, ou seja, na expressão de conhecimentos e sentimentos. Cabe destacar que a moda não está aqui definida apenas como um estilo de vestir, mas um fenômeno extremante amplo, que se refere a tudo, desde objetos a comportamentos. A moda na cultura capitalista evidencia os espaços e a sociedade na qual o sujeito está inserido. Por isso, a tendência da moda em um mundo globalizado não pode restringir-se a combinações de cores ou peças e acessórios. Mas necessariamente deve estar carregada de sentimentos e emoções.
Tenho ouvido as pessoas comentarem que “hoje em dia tudo está na moda”. Exagero? Não! Realmente não precisa ser especialista em moda, para perceber uma mistura de cor com sentimento, de brilho com lugar, de detalhes e acessórios com sutileza e extravagância... Esse movimento é originado do processo de globalização que interfere no comportamento das pessoas, isto porque, as pessoas vão se constituindo a partir de identidades acessadas no mundo todo.
A moda deve ser projetada a partir de tendências mundiais, e principalmente a partir de relacionamento humano. São as perspectivas de interação com o mundo, que contribuem para as escolhas das pessoas. Muito mais que um jogo de cor e de combinações, são as sensações que as pessoas experimentam, que dizem se elas vão ou não aderir ao movimento.
Os seres humanos tendem a se preocupar com a aparência e desejam pertencer a um determinado grupo social. Por isso, não é por acaso que a magia do ocidente tem alterado significativamente a moda brasileira. São as fantasias desta cultura, as possibilidades de conquistas que refletem no desejo de consumir das pessoas.
Não há mais “passagem” de volta, no mundo da moda. A moda marca uma ruptura radical com o tempo. Ela deve ser cada vez mais atrativa e sua tendência está no prazer de agradar, de ofuscar e surpreender, traduzindo a busca constante da felicidade e de um ideal de vida. Portanto, se você pretende se posicionar no mundo da moda, acredite, o tempo não volta, o tempo não para. Possibilite que a sua criação seja um modelo de apresentação de atrativos físicos ou psicológicos. Invista na sedução!
Celísia Liane Ziotti Bohn
Professora da Escola Qualifica e
aluna do Mestrado em Desenvolvimento da Unijuí
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