Ao final do inverno e início da primavera ocorrem dois fenômenos que promovem alterações na fisiologia das plantas e, conseqüentemente, provocam mudanças bem perceptíveis na paisagem: o aumento do período luminoso (fotoperíodo) e a elevação das temperaturas do ar e também do solo.
Com a chegada do outono (temperaturas mais baixas e redução do período luminoso), algumas plantas ornamentais e árvores cultivadas nos jardins do sul perdem suas folhas e reduzem suas atividades metabólicas, ou seja, reduzem suas taxas de crescimento. Por isso, com a retomada do aumento do período luminoso e elevação das temperaturas, na primavera, o crescimento, brotação e também a germinação voltam a ser estimulados, além do florescimento em muitas das espécies ornamentais. A paisagem, portanto, volta a tomar tons de verde, além de se cobrir de flores, perfumes, insetos e pássaros!
Retomando os processos de crescimento e florescimento, as plantas necessitam de um grande aporte nutricional, para produzirem os novos tecidos de galhos, folhas e flores. Para tanto, o solo deve estar bem provido de nutrientes e é na saída do inverno que se torna imprescindível realizar adubações químicas em vasos, jardineiras e canteiros. Além disso, como o crescimento do sistema radicular e a absorção de nutrientes também serão estimulados, revolver o solo e acrescentar matéria orgânica se tornam práticas de grande importância para o vigor e florescimento das plantas ornamentais. Não se deve descuidar também das regas, já que é por meio da água que os nutrientes acrescentados ao solo, com as adubações, são solubilizados, absorvidos e disponibilizados aos tecidos vegetais.
O mesmo vale para os gramados que, aliás, devem ser preferencialmente implantados quando as temperaturas se elevam, pois o enraizamento e a propagação são facilitados. Podem ser utilizados os adubos de formulação NPK, muito bem distribuído sobre o gramado, sempre seguido de uma boa irrigação.
Também é hora de remover folhas que foram danificadas pelas geadas (que muitos no sul mantêm nas plantas até a certeza de que não haverá mais nenhuma geada tardia, no intuito de ocasionar proteção para as folhas e ramos inferiores). Assim, o jardim ganha novo aspecto e os raios solares alcançam as brotações e o solo, promovendo uma esterilização natural das superfícies.
Neste período, a propagação através de sementes, estaquia e alporquia também são favorecidos. Assim, em um substrato bem preparado, mantido úmido e bem adubado, as sementes começam a germinar e as estacas e alporques a enraizar. Torna-se possível, desta forma, propagar as plantas para, pouco depois, transferi-las para o jardim. A hortênsia, por exemplo, tem seu enraizamento favorecido pelas temperaturas de primavera, assim como o buxinho, o viburno, a ixora e o ligustrinho. Celósia-plumosa tem a geminação de suas sementes favorecida na saída do inverno, assim como a zínia. O rododendro, por sua vez, pode ser multiplicado através de alporquia favorecida na primavera.
É na primavera que florescem os arbustos: caliandra e astrapéia; as trepadeiras: lágrima-de-cristo e o amor-agarradinho; as forrações: boa-noite, agerato e capuchinha; as árvores: jacarandá e ipê.
É o momento de reformar canteiros cultivando tagetes, sálvia, vinca e alisso e, assim, renovar o visual do jardim, tornando-o também atrativo à visitação de borboletas e beija-flores.
Fabíola Sostmeyer Polita
Engª. Agrônoma - Mestre em Desenvolvimento, Gestão e Cidadania |