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O sono e sua estrutura
 

Atualmente, o sono não é mais considerado um fenômeno passivo, muito menos um período de repouso do sistema muscular, órgãos viscerais, sistema nervoso e outros. Não é possível dizer exatamente qual é a função que cumpre o sono, mas sabe-se, no entanto, que todas as funções do cérebro e do organismo em geral são influenciadas por ele. O sono é estudado como um fenômeno ativo, visto que não se observa uma redução generalizada da atividade dos neurônios cerebrais, mas um aumento de forma notável das freqüências de descarga dos neurônios, chegando inclusive a níveis maiores do que os observados em vigília tranqüila.

Segundo Martinez, o sono não é uma função do organismo, como a digestão, mas um estado alterado da consciência com inúmeras funções, muitas das quais relacionadas à conservação de energia.

Embora não se tenha desvendado completamente o papel indispensável do sono na sobrevivência dos seres vivos, sabe-se cada vez mais sobre sua estrutura. Observando-se uma pessoa dormindo, tem-se a impressão de que o sono representa um estado único, monótono e sobretudo impenetrável. O sono era considerado assim, pois não havia método capaz de avaliar o que ocorria internamente com a pessoa dormindo. O principal instrumento para as descobertas sobre o sono foi um exame chamado polissonografia.

Graças à polissonografia, reconhece-se hoje que o sono não é um estado homogêneo, e que há dois estados distintos do sono. O sono mais surpreendente, e o último a ser descoberto, é o sono em que ocorrem movimentos rápidos dos olhos. Este sono é chamado REM (Rapid Eye Moviment) ou Movimento Rápido dos Olhos. Apesar de ocupar apenas 20% do sono de um adulto, o sono REM é tão importante que o restante é chamado de sono NREM (não-REM).

A maioria dos conhecimentos acerca do sono e seus estágios veio através da polissonografia, que atua como uma espécie de radiografia do sono. Consiste em diversos tipos de registros, como o eletroencefalograma – EEG (ondas elétricas do sono), o oculograma - EOG (movimento dos olhos), eletromiograma- EMG ( tensão muscular), eletrocardiograma- ECG ( ondas elétricas do coração), movimentos respiratórios e a oxigenação do sangue.

A polissonografia é realizada em laboratórios do sono por meio de equipamentos especiais e usados por técnicos capacitados. O exame normalmente dura oito horas seguidas, e ocorre, em geral, das 23 horas e às 7 da manhã. A análise do traçado, mesmo realizada com auxilio do computador, ainda exige horas de um técnico com ‘olho treinado’, e muita paciência. Nem todos os equipamentos de polissonografia são automatizados e poucos possuem estagiamento.

Maridalva Machado Peixoto Konrad
Massoterapeuta em formação na Qualifica
Artigo resultante de pesquisa desenvolvida no curso de Massagem Básica
e publicado no Jornal Opinião, Santa Bárbara do Sul-RS, em julho de 2006